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Alunas fazem movimento contra proibição de shorts em escola de Porto Alegre

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Um grupo de meninas entre 13 e 17 anos resolveu ir de encontro ao regimento interno de uma das mais tradicionais escolas de Porto Alegre e decidir o que vestir. O movimento "Vai ter shortinho, sim", formado por alunas das últimas séries do ensino fundamental e do médio do Colégio Anchieta, lançou o abaixo-assinado com intuito de ter a liberdade de usar a vestimenta dentro das dependências da instituição.


"Nós não precisamos comprar uma roupa que o colégio acha que a gente deve usar. Achamos que cada um usa o que quiser. O colégio diz que short é roupa de praia. Mas os guris vão à aula com calção de surf e, isso sim, é roupa de praia. Se eles podem usar, nos também podemos", questiona a aluna do segundo ano do ensino médio Bianca Finamor, de 16 anos.


O Anchieta é rígido em relação às suas normas de vestuário. Não é permitido às meninas vestirem nada mais curto que uma bermuda. "A cobrança com as meninas mais velhas está menor este ano, mas com as mais novas não tem jeito", comenta Bianca. Segundo ela, as alunas flagradas vestindo shorts na escola, ou são mandadas para casa, ou seus pais são chamados à escola.

O movimento vem crescendo no Facebook. A página foi criada nessa terça-feira e já conta com mais de 2 mil curtidas, e a petição online, cerca de 7 mil assinaturas. São centenas de comentários, a maioria elogiosos à iniciativa.


"A minha mãe está apoiando e compartilhando com as amigas. E, para a minha surpresa, todos os nossos colegas estão do nosso lado. Hoje marcamos um ato e combinamos de irmos de shorts e camiseta preta. E os guris entraram no movimento. Estou chocada com a quantidade de apoiadores", destaca Bruna, embora reconheça a presença de críticos, especialmente pela internet.

 

No recreio do turno da manhã, nesta quarta, foi lido um manifesto escrito pela aluna Giulia Morschbacher, 15 anos, do 2º ano do ensino médio. O texto diz: "Nós, alunas do ensino fundamental e médio do Colégio Anchieta de Porto Alegre, fazemos uma exigência urgente à direção. Exigimos que a instituição deixe no passado o machismo, a objetificação e sexualização dos corpos das alunas", inicia. E vai além: "Regras de vestuário reforçam a ideia de que meninas tem que 'se cobrir' porque garotos serão garotos; reforçam a ideia de que assediar é da natureza do homem e que é responsabilidade das mulheres evitar esse tipo de humilhação; reforçam a ideia de que as roupas de uma mulher definem seu respeito próprio e seu valor".


Questionada sobre como escreveu o manifesto, Giulia foi direta: "Eu escrevi em cerca de 30 minutos. Não foi difícil, porque eu tenho prática de escrever sobre esses temas. Escrevi sozinha e usei duas coisas como base: a vontade das gurias de mudar isso, como a organização do protesto, e o meu conhecimento sobre feminismo".

Do auge dos seus 16 anos, ela explica sua experiência: "Conheci o feminismo pela internet mesmo. Uma amiga compartilhou uma publicação de uma página feminista, eu curti, me interessei, e cada vez fui curtindo mais páginas, até que tomou conta do meu feed. Junto com isso, eu li vários artigos e teses sobre pautas feministas." Questionada se, em casa, tem alguma referência, afirma: "A minha mãe nunca foi muito ligada nisso, mas ela apoia o nosso movimento". 


O Colégio Anchieta publicou uma nota sobre o caso: "A assessoria de comunicação esclarece que o Colégio Anchieta está acompanhando a reivindicação dos alunos de trazerem para discussão temas da atualidade presentes no contexto educativo e social. Por isso, reitera que está dialogando com a comunidade anchietana (alunos, pais, professores, funcionários) sobre as questões em pauta, de acordo com seus princípios e valores, bem como, seu modo de ser e proceder".



Fonte: Do UOL, em Porto Alegre     24/02/2016     Foto: Arquivo Pessoal

 

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