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Até o ITA quer saber

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É voz corrente que
não somos de frequentar museus e exposições artísticas. Será verdade essa
afirmação? Confira a coluna de Luiz Puntel

Luiz
Puntel | ACidadeON/Ribeirao
14/4/2019 05:05





Leitores, lembram-se da
propaganda dos biscoitos Tostines? Se sim, respondam à provocação: "A população
não frequenta museus porque corre o risco de sair de lá "tostados",
ou os museus correm o risco de "pegar fogo" porque a população não
frequenta estes locais?" 




Provocação absurda, bem sei! Mas, apagado o
incêndio da provocação, é voz corrente que não somos de frequentar museus e
exposições artísticas. Será verdade essa afirmação? Que o poder público não
leva em conta a Cultura como coisa séria todos sabemos. Basta comparar os
investimentos municipais, estaduais ou federais em relação ao tema para
comprovar o descaso governamental. Aliás, este foi o tema de redação do ITA
deste ano: os motivos do descaso com o patrimônio histórico, cultural e
científico no Brasil.  




Entre os textos da coletânea oferecida aos
candidatos do rigoroso Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), havia a
citação do incêndio do Museu Nacional, ocorrido em setembro do ano passado. Não
só o do museu criado por D. João VI, mas o incêndio do "Teatro Cultura
Artística", ocorrido em 2008, o do "Memorial da América Latina",
em 2013", o do "Museu da Língua Portuguesa", em 2015, e o da
"Cinemateca", ocorrido em 2016. A enumeração acima já é o suficiente
para comprovar os motivos do descaso com o patrimônio histórico. Não precisamos
nem citar os museus aqui da cidade, certo? 




Agora, voltando à provocação inicial: "Não
somos mesmo de frequentar museus e exposições artísticas e, por isso, o descaso
com esses estabelecimentos públicos?" Como dissemos, as autoridades
públicas não valorizam as ações culturais! Só para nos valermos da coletânea da
prova de redação do ITA, e provarmos o descaso, o Condephaat, Conselho de
Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo, conta com apenas 50 mil
reais para a manutenção de mais de dois mil bens tombados nos 645 municípios,
quando seria necessário mais de um milhão para dar conta da manutenção desse
acervo cultural. 




No entanto, a afirmativa de que não somos de
frequentar museus e exposições artísticas cai por terra, ao sabermos que a
ArtNewspaper, uma entidade inglesa, enumera cinco instituições brasileiras
entre as 100 mais visitadas do mundo. São quatro centros culturais do Banco do
Brasil e o Instituto Tomie Otake. O CCBB do Rio, cotado em 42º lugar, recebeu 1
milhão e meio de visitantes. O CCBB de Brasília, cotado em 57º lugar, recebeu
mais de 1 milhão. O CCBB de São Paulo, cotado em 85º lugar, quase um milhão. O
CCBB de Belo Horizonte, 800 mil. Já o Instituto Tomie Othake, cotado em 92º
lugar, recebeu cerca de 800 mil visitantes.  




Portanto, a população frequenta, sim, museus e exposições
artísticas, desde que haja o incentivo à Cultura, a manutenção necessária do
patrimônio e o espírito de cultuar a Arte. Tem sido assim não só nas
instituições já citadas, mas também no MASP, com a exposição de Tarsila do
Amaral. Aqui, em Ribeirão Preto, é só passar pelo Instituto Figueiredo Ferraz,
para comprovar a presença de vários ônibus escolares, que trazem os alunos das
escolas públicas e particulares para tardes de imersão cultural.  




***** 

(Puntel, perguntando: "Sem dar um google,
leitores, em que ministério mesmo foi parar a Cultura?) 



Fonte: Cidade On

 

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