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História censurada

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Livro escrito por Luiz Puntel é barrado por colégio carioca

por ser considerado 
"comunista" por pais de alunos





ISABELLA GROCELLI

jornalisrnv@jornalacjdack.com.br

   "Eu só lamento que as pessoas interpretem equivocadamente algo que aconteceu no País naqueIa época." A frase é de Luiz Puntel, educador e autor do livro "Meninos sem Pátria',' da série Vaga-Lume.

   O livro do escritor ribeirão-pretano, que aborda o exílio de uma família durante o período do regime militar no Brasil, foi retirado da lista de leitura do 60 ano do Colégio Santo Agostinho, escola católica no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, após ser acusado por pais de estudantes de "doutrinar crianças com ideologia comunista'.' A notícia foi veiculada ontem por jornais cariocas, como O Globo, e pelo site da revista Veja.

   Procurada pela reportagem do A Cidade, a diretoria do Colégio Santo Agostinho não se pronunciou. Na página da escola no Facebook, as opiniões na tarde de ontem eram divididas, entre pais que apoiavam ou criticavam a atitude. "Mais Monteiro Lobato, Mark Twain e Julio Verne e menos panfletagem socialista'; escreveu um internauta. Outro comentário dizia: "Como mãe de dois alunos, fiquei extremamente envergonhada (...) É a escola se curvando a uma tentativa de apagar história de um país."

O livro

   A obra conta, sob a perspectiva de Marcos, a história dele e do irmão Ricardo, que moram em uma cidade do interior com a mãe, que está grávida, e o pai, que é jornalista. O pai um dia desaparece e, com a ajuda de freiras, a família descobre que ele está na Bolívia. Então eles começam uma jornada de exílio, passando pelo Chile e peIa França.

   "A ideia para o livro veio da volta dos brasileiros com a Lei da Anistia em 1979. Li um livro que contava depoimentos só de mulheres que tinham sido exiladas e uma delas chamou minha atenção, pois ela exilou-se sozinha com sete filhos. Baseando-me neste depoimento acabei tendo a ideia de escrever uma história de uma família que tem que se exilar'! O livro, lançado em 1981, já está na 23a edição pela Editora Ática. "Já fui a centenas de escolas no Brasil para conversar com alunos sobre o Meninos sem Pátria. O que discutíamos é 'isso aqui aconteceu. Se você é contra ou a favor, eu respeito sua opinião. Mas aconteceu"' afirma Puntel.

Fonte: Jornal A Cidade

 

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