Crônicas do Puntel

Um 'imprecionante' Ano Novo de novo


Erros de grafia à parte, tanto os ministeriais como os escolares, o mal que grassa sem graça nas redações dos candidatos é muito pior que os de 's' ou 'ss'

Luiz Puntel | ACidadeON/Ribeirao


Todo começo de ano, quando saem as notas dos vestibulares, é um momento de vitória para uns, frustração para a grande maioria. Para os primeiros, a alegria por terem conseguido atingir os pontos necessários para ingressar no mundo universitário. Para o segundo grupo, a frustração por não conseguirem os mesmos pontos de ingresso na carreira de seus sonhos. 


Sempre digo aos alunos que, feita uma afirmação, é preciso prová-la em seguida. Provemos, então, por que a grande maioria não atinge seus objetivos. As causas são várias: a oferta de vagas no ensino público é pífia, muito aquém da demanda estudantil. Uma segunda causa, entre tantas outras, é a questão do sucateamento do ensino público. E, no ensino particular, a defasagem não fica tão distante. 

Basta lembrarmos quantos milhões prestam o Enem, só para citarmos um vestibular, e quantos conseguem atingir a pontuação necessária para o ingresso no ensino superior. Neste ano, cerca de 5 milhões prestaram a prova. A quantidade de excelentes notas em Redação, por exemplo, é ínfima. Apenas 53 conseguiram obter nota máxima. Um número um pouco maior obteve de 800 a 980. Agora, querem saber o número de zeros, leitores?   


Imaginem se toda a população de Sertãozinho prestasse o Enem e tirasse zero. Seriam 101 mil zeros. Uau! E se a população de Barretos prestasse o Enem e tirasse zero. Seriam 122 mil zeros. Mas, mesmo assim, Sertãozinho e Barretos perderiam para os zeros do Enem. Isso porque foram mais de 143 mil zeros no Enem. Agora, os que tiraram 400 ou 500 pontos, que também é uma nota muito aquém para ingressar em qualquer carreira universitária oferecida, o desastre chega à casa dos milhões. 


É mesmo impressionante - ou seria "imprecionante", como o ministro da Educação grafa a palavra? Erros de grafia à parte, tanto os ministeriais como os escolares, o mal que grassa sem graça nas redações dos candidatos é muito pior que os de "s" ou "ss". O descalabro não é uma vírgula fora do lugar, ou uma palavra grafada incorretamente. Isso não é tão demeritório quanto um parágrafo estapafúrdio, sem coesão e sem coerência, que o examinador lê e se pergunta: mas o que este ou esta candidata quis escrever afirmando que "os cinemas antes eram para todos, mas agora são só para os que têm carro nos shoppes? Tóimmm! 


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Professor Puntel, estudando a estrutura das palavras e "imprecionado" com o tanto de "imprecionantes" detalhes da formação das palavras, como radical, prefixos, sufixos, afixos, afins e senfins e chegamos ao fim.



Fonte: A CidadeOn

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