Crônicas do Puntel

Glosso... o quê?


Vocês já ouviram falar em glossofobia, pacientes e atentos leitores? Não?

Vocês sabiam que, talvez, já tenham contraído esta síndrome e não sabem?

Luiz Puntel | ACidadeON/Ribeirao

Vocês já ouviram falar em "glossofobia", pacientes e atentos leitores? Não? Vocês sabiam que, talvez, já tenham contraído esta síndrome e não sabem? As suas profissões, confesso que não sei. Vocês podem ter feito Direito, atuar bravamente nas mais variadas causas, ou ter feito Medicina e ser profissionais competentes, mas talvez tenham, do lado dos diplomas pregados na parede dos consultórios, o diploma de "glossofobia" atrapalhando seus portfólios de conquistas profissionais. Por outro lado, vocês podem ser professoras ou professores, lecionarem a vida toda, mas está lá, incrustado na mente, o diploma de "glossofobia".


Bom, e daí? Vocês dão de ombros e dizem que fobias, ou o medo exagerado de certas coisas, são tantas e mais umazinha não vai fazer diferença, certo? Errado! E errado porque quanto mais resolvermos esses penduricalhos, melhor viveremos.


Aliás, esse medo, como vimos, tem nome e sobrenome. É conhecido pelos especialistas como "glosso", que quer dizer "palavra" em grego, e "fobia", que sabemos ser medo. Ou seja, vamos para a definição: glossofobia é o eterno medo de estar exposto e falar para alguém, seja este público uma pessoa só ou um grupo restrito, como o da reunião de trabalho lá na empresa.


A CID (Classificação Internacional de Doenças), reserva uma extensa lista dessas fobias sociais, enquadrando-as no CID 10 F-40. Deem uma "gugada" e confirmem que há ali um relicário de medos e pavores e pânicos; entre eles, o da fobia social, o medo de gente, o medo que vai, desde levantar o dedinho na sala de aula e tirar uma dúvida, até dar sua opinião em uma reunião de trabalho.


Quando conheço alguém que já tentou minimizar, diminuir ou estancar esta hemorragia terrível - permitam-me continuar na analogia com o universo da saúde eu até parabenizo. Sim, porque a maioria nem tenta.


Os sintomas, se vocês têm essa síndrome, já sentiu na pele: mãos suadas, trêmulas, o batimento cardíaco vai lá nas alturas, achamos que o coração vai sair pela boca e travamos a mandíbula, dizendo um cala-te, boca! bem mordido.


" Fulano, você quer falar algo sobre o que estamos discutindo? - seu gestor pergunta, numa reunião tranquila lá na empresa, e você quer morrer de catapora e brotoeja ao mesmo tempo.


Querer falar você até quer, porque tem boas ideias, mas desaba ao tentar abrir a boca. Fica tatibitate, tipo sei lá-não-sei, quer-dizer, talvez-sim-talvez-não, sei-lá-não-talvez.


E a desculpa que nos damos é sempre a mesa: não nasci com a comunicação na ponta da língua. Mas, quem disse que nascemos comunicativos? Nascemos chorando, com fome, pedindo pelo amor da maternidade, uma teta para aplacarmos nossa fome.


Não nascemos comunicativos, mas podemos desenvolver esta capacitação se nos permitirmos buscar ajuda. Ou já nascemos professores, advogados ou médicos? Foi um upa para entrar na facul, não foi? Há alunos que tentam e retentam, passam, ficam seis anos nos bancos universitários, saem de lá e aí têm que fazer residência ou cursos de especialização, ir pro mercado de trabalho, aprender no dia a dia da labuta e achamos normal, certo?


O mesmo se dá com nossas mazelas, caros glossofóbicos! Posso recomendar um exercício que me ajuda até hoje? Antigamente, professor saído da casca do ovo, eu gravava minhas aulas em gravador de rolo, já que eu era enrolado. Agora, temos os celulares à mão e nas mãos, certo? Então, peguem seus celulares, não usem a desculpa que está sem bateria, acionem o dispositivo "câmara", ou "câmera", tanto faz, direcionem o aparelho para vocês e vejam um rosto enquadrado ali. A partir de agora, vocês já têm um público cativo, super paciente e próximo: vocês mesmos! Vamos aos treinos? 


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Puntel, perguntando, inbox, como se chama a fobia ao contrário, a de ter medo de calarem a nossa boca.

Fonte: A CidadeOn

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