Crônicas do Puntel

Unesp, o cigarro e o carro


A redação da Unesp deste ano versou sobre um tema que, certamente, professores da área trabalharam em sala de aula

Luiz Puntel | ACidadeON/Ribeirao


A redação da Unesp deste ano versou sobre um tema que, certamente, professores da área trabalharam em sala de aula. A coletânea trazia quatro textos, todos eles abordando a saturação do uso que fazemos dos veículos. E, para a surpresa dos candidatos, comparava o uso do carro com o cigarro. Como assim? Isso mesmo! Aliás, o tema era: "o carro é o cigarro do futuro?" 


Os candidatos inexperientes certamente torceram o nariz, sem saber por onde começar. Os experientes, no entanto, sabiam que, apesar de não vir explícito, o tema era o da "mobilidade urbana"; ou seja, a discussão de como a população deve se deslocar pelo espaço urbano. A temática já foi pedida em vários vestibulares; inclusive, no temido ITA, em 2011. 


Vamos debulhar o milho, ou seja, detalhar o que a Unesp pediu? A pergunta "o carro é o cigarro do futuro?", que causa estranheza num primeiro momento, foi retirada da fala do arquiteto Jaime Lerner, ex-prefeito de Curitiba, que priorizou o transporte coletivo na capital paranaense.  


Numa reflexão mais acurada, lendo os quatro textos oferecidos na coletânea, fica claro que, há décadas não muito distantes, o cigarro era o queridinho de nove entre dez estrelas de cinema. O carro também era o queridinho de nove entre dez apressadíssimos barrichellos. No entanto, vem perdendo seu status, deixando de ser o objeto de desejo principalmente dos jovens.  


A confirmação desse argumento é dado pela Universidade de Michigan, da própria coletânea. Nos Estados Unidos, 20% de jovens de 20 a 24 anos não se interessam em tirar a habilitação. Na faixa de 18 anos, o percentual sobe para 40%. 


"Você pode continuar a usar como o cigarro", dizia Lerner a respeito do carro, "mas as pessoas se irritarão por isso." E não é verdade? Até há pouco, fumava-se até nos voos internacionais, de mais de dez, doze horas, lembram-se disso? Hoje não se fuma nem no banheiro de restaurante, e ai do infrator se insistir! 


Apaguemos o cigarro e voltemos ao carro. Aliás, desembarquemos do carro e tomemos um metrô ali na esquina! Mas, não tem metrô? O ônibus demora a passar? As ruas estão entupidas de veículos? Como resolver?  


Perceberam que, virando a esquina do parágrafo anterior, nós chegamos à "mobilidade urbana"? E os candidatos experientes, que já viram este tema em sala, sabem até que existe a lei 12.587, de 2012, justamente a Lei da Mobilidade Urbana.  


E é só cobrando a execução da lei que o Brasil varonil resolverá o problema do trânsito nas médias e grandes cidades. Cobrar das autoridades governamentais a execução da lei da Mobilidade, da implementação e execução do Plano Diretor, do Estatuto das Cidades, etc.  


Candidato experiente certamente se lembrou desses detalhes. Como se lembrou de mais dados discutidos em sala. Isso, além do que já era oferecido na coletânea dada. Em resumo, bastava ter espírito crítico e visão de mundo. Aliás, expressões que o Paulo Freire amava! Paulo Freire?  


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Puntel, procurando no dicionário o que quer dizer o tal do "energúmeno"

fonte:ACidadeOn

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