Crônicas do Puntel

Esquerda ou direita no Enem


Se perguntarmos aos candidatos o que eles entendem por essas duas palavras (esquerda ou direita), poucos saberão dar uma resposta condizente

Luiz Puntel | ACidadeON/Ribeirao

"Professor, no Enem, posso fazer uma redação tipo de esquerda, metendo o pau no governo?", "Com este governo que está aí, professor, devo ser de direita, né?" "E, se eu for contra os Direitos Humanos, tiro zero?", "No Enem, eu tenho que ser a favor do governo, certo?"
 
Tudo errado! Esses questionamentos só povoam a mente de candidatos despreparados e têm seu porquê em relação às fake news postadas nessa ou naquela plataforma das redes sociais. E, também, por declarações, que, inicialmente, podem parecer sem sentido. E reafirmo que "podem parecer sem sentido", já que, a partir de uma entrevista de Alexandre Ribeiro Pereira Lopes, atual presidente do Inep, a transcrição de sua fala dava a impressão de que "redações de esquerda" não serão prejudicadas na correção do Enem. 

Gente, não se trata de o candidato produzir um texto voltado à esquerda ou à direita. Aliás, se perguntarmos aos candidatos o que eles entendem por essas duas palavras (esquerda ou direita), poucos saberão dar uma resposta condizente. E não se trata de produzir um texto com pendor a esta ou aquela vertente política, porque o candidato deve demonstrar argumentação, problematização do tema, criticidade, raciocínio lógico, progressão temática e autonomia textual. Essas expressões, que fazem parte não só da Cartilha do Participante, como se chama o manual do candidato, mas de qualquer edital, não tem nada a ver com ideologia política. 

Esse mesmo erro de interpretação aconteceu, há dois anos, quando um grupo de equivocados entrou com um processo contra o Inep, exigindo que qualquer candidato poderia ser contra os direitos humanos. E um juiz deu ganho de causa aos equivocados. Mas, o que é ser contra os direitos humanos? Basta ler a Declaração Universal dos Direitos Humanos para entendermos que é quase impossível, a alguém de sã consciência, ser contra qualquer um dos seus 30 artigos. A não ser que você seja a favor do que o artigo V condena, ou seja, a tortura, talkei? 

O que o presidente do Inep afirmou, perguntado que foi, é que é falso afirmar que, nos governos petistas, se os candidatos alinhavassem argumentos de esquerda, seriam contemplados com boas notas. E, agora, se argumentarem com argumentos de direita, serão bem sucedidos? O que ele afirmou foi que "o candidato tem que saber argumentar e defender seu ponto de vista."
 
Basta ler e analisar a Cartilha do Participante para se concluir que não há nada que aborde tendências ideológicas. Aliás, ler manuais de redação é ato que só candidatos competitivos fazem. Vejamos o que está registrado nas cinco competências em que os candidatos terão pontuação. Na primeira delas, o candidato será avaliado se domina ou não a modalidade formal da língua portuguesa. Na competência dois, se ele entendeu o que é para redigir e se ele tem visão de mundo, de criticidade a respeito do tema dado. A competência três verificará se ele sabe selecionar, relacionar, interpretar informações para defender seu ponto de vista. Na quarta, se ele domina os mecanismos linguísticos para construir sua argumentação, ou seja, a coesão e a coerência textual. Na quinta e última, se ele sabe detalhar a solução em agente, ação a ser feita pelo agente, por que meio, visando qual efeito final.
Portanto, senhores candidatos ao Enem, evitem querer adivinhar a mente dos examinadores, se eles são de esquerda ou de direita. Eles são, como todo juiz deve ou deveria ser, isento de juízo de valor, atendo-se ao que reza a cartilha do participante. No mais, boa prova!

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Puntel, folheando o Tesouro da Juventude, à procura do que raios! significa este negócio de esquerda e direita. Humpf!

fonte: ACidadeOn






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