Crônicas do Puntel

Os 'erros gráficos' do ministro da Educação


O ministro, no seu Twitter, assumiu a culpa. "Li e deixei passar", afirmou, esclarecendo que não era de sua lavra o erro, mas que assumia o erro do assessor

Luiz Puntel | ACidadeON/Ribeirao

A 'PARALIZAÇÃO' DO MINISTRO

Recentemente, causou espécie - o que para os ignaros do vernáculo camoneano há que se traduzir por "causou estranheza" duas palavras grafadas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, eivadas de erros gráficos, e não ortográficos, como diria algum incauto leitor. E por quê? Ora, é um despautério para um purista da língua definir um erro gráfico como "orto+gráfico", que, segundo as abalizadas lições de um Napoleão Mendes de Almeida, ou de um Carlos Góis, citado por Drummond, na sua poesia "Aula de Português", ortográfico quer dizer grafia correta. Captaram a sutileza do despautério gramático-morfológico na expressão "erro de grafia correta", leitores? 

Traduzindo o parágrafo acima em linguagem de em-dia-de-semana, como diria Guimarães Rosa, o caso que se deu, e deu muito pano pra manga, foram os equívocos, denominados de impropérios por puristas da última flor do Lácio, a Língua Portuguesa. O ministro grafou "suspenção" e, de quebra, emendou duas vezes a palavra "paralização", em vez dos corretos "suspensão" e paralisação", em ofício dirigido ao ministro da Economia, Paulo Guedes.
 
O ministro, no seu Twitter, assumiu a culpa. "Li e deixei passar", afirmou, esclarecendo que não era de sua lavra o erro, mas que assumia o erro do assessor que redigira o fatídico ofício. Em contrapartida, o ministro aproveitou para apontar o erro em uma nota do Estadão, que apontara o erro de sua lavra. Chumbo trocado! Na nota do citado jornal, um distraído redator escreveu "Congreso", em vez de Congresso.
 
Não se trata aqui de demonizar o ministro ou seus assessores, apesar de termos sérias críticas de como tem sido ministrado o sucateado Ministério da Educação. Erros de grafia acontecem constantemente, seja na confecção de um twitter, de um artigo, de um e-mail, de uma tese de doutorado, em anúncios publicitários, quejandos ou alhures. 

Nesta lida de professor, há 40 anos que, todos os dias e são quase 27 mil dias como orientador de textos os mais variados, desde uma simples redação de vestibular, dissertação de mestrado, ou tese de doutorado, tropeço em uma vírgula fora de lugar, em um ponto final que não finaliza nada, em uma regência verbal estapafúrdia, em uma concordância nominal que não concorda absolutamente nada.
 
Quem é advogado, promotor, juiz ou desembargador sabe o que é, por exemplo, uma petição inicial inepta. É aquela eivada de erros, seja jurídicos ou gramaticais. Já li várias que traziam tantos erros, tantas incoerências, tantos elementos contraditórios, que, por mais boa vontade que o juiz tivesse, não dava para entender se o advogado queria salvar ou encarcerar seu cliente.
 
Mutatis mutandis (será que empreguei certo este jargão do juridiquês?), voltemos ao erro ministerial. E aqui vai uma sugestão ao ministro e a todos que fazem uso da Língua Portuguesa, esta inculta e bela língua, segundo o bardo Bilac:
 
"Ministro, como sói ocorrer a todos os que redigem, digitam ou escrevem, ao correr da pena, como diria José de Alencar, que também foi ministro, pegando caneta esferográfica, seja Bic, Compactor ou uma poderosa Mont Blanc StarWalker Ceramics Doué White, erros acontecem. Para dirimir o problema, sugiro que sempre se valha de uma rápida consulta ao VOLP, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Lá, ministro, há uma janela. Nela, insira a palavra em dúvida e o VOLP, numa precisão espantosa, dirá como a palavra deve ser grafada. Confesso que me valho sempre do poderoso mecanismo para tirar minhas dúvidas de grafia.  

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Puntel, relendo a crônica, sabendo que há um erro logo na primeira frase. Desculpaí, Camões!

fonte:ACidadeOn

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