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MUDANÇAS PANDÊMICAS

Puntel

Camões já analisou , em um soneto, o que estamos vivendo na contemporaneidade, ou seja, a disrupção mundial trazida pela pandemia. Como assim, se Camões é de 1500 e bolinha e nós estamos bem mais à frente no andar da carruagem do Tempo? 

Muito simples de explicar, leitores apressados! O soneto em questão, fala de mudanças. E mudanças acontecem a todo instante. Colocando em prosa livre o que Camões escreveu em versos, é só seguir o poema para comprovar que, sim, tudo muda. Diz o poeta que os tempos mudam, as vontades mudam, os seres humanos mudam, muda a confiança, e o mundo todo muda, adquirindo sempre novas características. 

Por exemplo, do mal que nos acometeu, diz Camões, ficam as mágoas em nossas lembranças. Sem dúvida que sim! Camões tem lá as mágoas dele. As nossas, são as mágoas de quem perdeu seus parentes queridos, as mágoas de quem perdeu o emprego, de quem teve de se refazer, que teve de ressignificar projetos. 

E se houve um bem, um momento feliz, ficam as saudades, diz Camões. E mágoas e saudades, todos concordarão que tanto para um português de 1500 como para um ser humano contemporâneo, são sentimentos que ficam. Saudades do que se foram, saudades do nosso deambular pela cidade, saudades dos abraços, de nos reunirmos, entre tantos outros momentos de que nos lembramos. 

Mas, diz o poeta, e todos concordarão, Se houve doce canto antes, agora pode ser que há choro. E choramos pelo tempo que não conseguimos reverter, pelas perdas e pelas incertezas. No entanto, é preciso nos energizar de esperanças, de fé, da certeza de que sobreviver é preciso. Muito mais do que viver. Mas aí já é Fernando Pessoa, outro poeta português que merece também reflexões pandêmicas. 

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LUIZ PUNTEL, de quarentena há sete meses. 



 

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