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REDAÇÃO ENEM/2018: UM TEMA ATUAL

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O tema de redação do ENEM/2018 versou sobre a “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Aliás, tema atualíssimo! Basta levarmos em conta como, ingenuamente, disponibilizamos nossos dados pessoais, seja preenchendo formulários para recebermos descontos ou prêmios neste ou naquele site de ofertas, seja simplesmente por comprarmos este ou aquele produto via internet, ou ainda por externarmos nossas tendências políticas ou religiosas por meio deste ou daquele aplicativo nas redes sociais.

Isso nos permite questionar o seguinte: um usuário que recebe, toda semana, uma lista de músicas enviadas por um serviço digital, teve mesmo a liberdade de escolher as músicas, ou, ingenuamente, está sendo manipulado pelo aplicativo, que, por meio do algoritmo, já escolheu por ele?

Quanto ao conhecimento de outras áreas, sempre pedido pelo ENEM, os candidatos poderiam citar o recente escândalo do vazamento de dados pelo Facebook e manipulados pela empresa Cambridge Analytica, que influenciou nas eleições presidenciais norte-americanas há dois anos, mas que ainda tem ressonância no noticiário diário. Poderiam também citar o filme 1984, de George Orwell, em que fica claro como o Estado manipulava a população de Oceania. Poderia também se lembrar do “mito da Caverna”, de Platão, e a importância da ascese para o Conhecimento, ou seja, o sair da escuridão em direção à luz. Poderia, ainda, lembrar-se do tema da Fuvest/2008, em que o articulista Stephen Kanitz disserta sobre a “vigilância epistêmica”, ou seja, a necessidade de estarmos atentos de como nos apropriamos da “episteme”, ou seja, do Conhecimento.

Quanto à intervenção que os candidatos precisam propor de maneira detalhada, a banca já fez o favor de explicitar no Texto IV da coletânea, com o texto de Tom Chatfield. Transcrevamos dois trechos: “quanto mais informações relevantes tivermos nas pontas dos dedos, mais equipados estamos para tomar decisões. (...) “O que está em jogo não é tanto a questão “homem versus máquina”, mas sim a disputa “decisão informada versus obediência influenciada.”

Em outras palavras, caberia ao candidato citar o próprio usuário da internet como o agente da intervenção, ou seja, da saída de sua menoridade intelectual, nas palavras do filósofo Kant (tema da Fuvest/2017), em busca de sua maioridade epistemológica. Como isso se dá? Apropriando-nos de mais informações relevantes, equipando-nos de mais argumentos para tomar decisões, como argumenta o texto de Tom Chatfield.

O candidato poderia ainda propor, como agente, a família ou a escola, que são núcleos formadores de cidadania. À primeira, cabe a conscientização do que vemos, ouvimos e lemos se é algo real, ou se trata de fake news. E a conscientização crítica se dá por meio do diálogo, da formação de nossa personalidade. À segunda, cabe, por meio de projetos pedagógicos, a mesma conscientização, o mesmo abrir de olhos para a realidade, fugindo da manipulação internáutica.

Valeria também lembrar que os candidatos sentiram falta, na coletânea, de referências à lei 12.965/2014, chamada de Marco Civil da Internet. É ela que regula o uso da internet no Brasil por meio da previsão de direitos e deveres para quem usa a rede. Nesse caso, os candidatos poderiam se valer do Ministério Público, agente fiscalizador da execução da lei em questão.

Enfim, o tema deste ano foi atualíssimo! E, certamente, os professores abordaram em sala de aula. Parabéns à banca examinadora pela contemporaneidade do tema. Alvíssaras!


 

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