Oficina Literária Puntel
14.06.2010
ALICE BRASILEIRA - Tema: Brasil, um país de todos?

 

Recado do professor Puntel: Mariana, lindo texto, belo texto, maravilhoso texto! Como você escreve bem, bonitinha! Você tem autonomia textual, já tive a alegria de dizer isso várias vezes. Beijão!

 

Na famosa passagem ao ar livre em “Alice no país das maravilhas”, o Chapeleiro Maluco diz a Alice:”Tome mais chá”. Mas, Alice não tomara nenhum – aliás já estava à mesa fazia tempo e ninguém a servira - , diz com toda a lógica. “Como posso tomar mais chá se não tomei nenhum?” o chapeleiro na se altera: “Você quer dizer que não pode tomar menos chá. É mais fácil tomar mais que nenhum”. Essa passagem literária lembra um pouco a situação do governo brasileiro em relação aos recursos de um cidadão: oferecem verbas aos problemas recentes da educação, da moradia, da saúde, do transporte e lazer, quando, na verdade, ainda nem ao menos disponibilizaram tais verbas para os mesmos ocorridos. É mais fácil oferecer mais que nenhum.

Vivemos em uma terra de contrastes. Contrastes econômicos. Contrastes sociais. Desde a colonização do Brasil, por volta de 1532, a terra já é “descoberta” não sendo nossa – no caso, dos nativos -; começa sendo explorada por estrangeiros - como portugueses, franceses, holandeses -,  tornando-se  rica fonte de matérias primas para as metrópoles, além de as desigualdades se tornarem intensas, evidentes e cada vez mais injustos. Nativos trabalham e são massacrados. Colonizadores exploram e enriquecem. Indubitavelmente, São Vicente torna-se uma colônia de todos, exceto dos próprios nativos.

O Brasil é um país de todos. Menos dos negros, dos índios, das mulheres e das crianças. O Brasil é um país de todos. Mas falta moradia digna, educação, serviços de saúde, transporte, comida e dignidade. Ainda marcado pelo preconceito racial, pelas desigualdades sociais, pela descriminação e falta de assistência aos indígenas, pelas ainda criticadas oportunidades às mulheres, pelo descaso com as crianças, o nosso “Chapeleiro Maluco” insiste em dizer que há uma só realidade para todos. Não-cidadãos invisíveis aos olhos do poder público. Recursos básicos para a cidadania sendo feitos de “faz de conta”.

Vivemos o paradoxo de sermos grande produtores de alimentos, país emergente, e o de maior controle de crises – no caso, a ocorrida recentemente -, sem contudo, conseguirmos distribuir equitativamente os alimentos que colhemos, os lucros que ganhamos, e as crises que superamos.

Deveríamos ser “Alices” do nosso “faz de conta”, e questionar ao que diz o Chapeleiro. Deixar de fingir que as rosas do jardim da Rainha de Copas são vermelhas, quando, na verdade, sabem que são brancas e foram apenas pintadas de vermelho pelos jardineiros em forma de baralho. Além de criarmos coragem, não aceitando as vontades da Rainha. Mas, para isso, há de haver muita coragem e determinação, pois quem desagrada à Rainha, corre o risco de perder a cabeça.

 

 

MARIANA BUTIÃO MACEDO - Curso Pré-vestibular

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