Oficina Literária Puntel
14.06.2010
CARNAVALIZAÇÃO SOCIAL - Tema: Ética/Auto da Barca

 

Recado dos professores Puntel e Ludmila: Mariana, você tem se esforçado, tem trabalhado. Que bom! O resultado, bonitinha, é o avanço no domínio do escrever. E escrever, você sabe, é saber pensar, ter autonomia, ter consistência de argumentos. Isso mesmo! Beijão nosso! 

 

  

A obra vicentina “Auto da Barca do Inferno” é caracterizada por uma intensa crítica moralizadora. Ao ser redigida, foi utilizado o gênero literário conhecido como sátira menipeia, que engloba o contexto de julgamento entre os discrepantes céu e inferno e também o conceito de carnavalização da sociedade.

Essa carnavalização pode ser definida por uma transgressão de certos valores morais que regem a conduta dos indivíduos. No teatro de Gil Vicente, as personagens-tipo, que representam os grupos da hierarquia vigente da época, são julgadas por suas ações contraditórias às suas verdadeiras funções. O Frade, por exemplo, deveria cumprir a ordem do celibato; porém, tinha uma amante.

Além disso, esse conflito de valores é fortemente presente nas paradoxais imagens do anjo e do diabo. Enquanto todo anjo transmite uma visão ingênua e anfitriã, no auto vicentino ele autoritário, esnobe. Em contrapartida, o diabo, ser maléfico e temido, é retratado como um exímio anfitrião: irônico, justo e não se importa com a hierarquia social dos passageiros da barca.

Essa crítica vicentina é, certamente, aplicada aos valores contemporâneos. Políticos corruptos, prostituição de possíveis estudantes, demônios usurpadores que privam a liberdade de seus subordinados em relações de dominador e dominado, assassinatos, individualismo. Pela ética atual, são estes os valores que devem reger uma democracia?

Definitivamente, é inaceitável. Portanto, a sociedade, frente a incentivos e ações anticorruptas e moralizadoras de seu governo, deve afirmar sua função no papel de escolher e ser, corretamente, protagonista de sua própria vida. Exercendo sua justa participação coletiva, evitará injustiças e, consequentemente, a carnavalização social.

 

MARIANA TÉO RECHE - Curso Pré-vestibular

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