Recado do professor Puntel: Fernanda, a repercussão da retirada da propaganda das sandálias Havaianas foi muito bem analisada por você. Parabéns pelo texto criativo, argumentativo, convincente. Beijos, bonitinha!
O Século XIX e o início do século XX, auge da Revolução Industrial, provocaram o intenso processo de urbanização, em consequência à mudança da mentalidade da população. No século XX, a Revolução Tecnocientífica e consequentemente a modernidade, houve as conquistas do universo feminino e a disseminação de métodos contraceptivos. No século XXI, será que todas estas conquistas realmente representam a forma de pensar da sociedade?
Definitivamente não. Recentemente, a propaganda das sandálias Havaianas, na qual uma avó fala abertamente com sua neta sobre sexo, abalou o público “sensível” e foi retirada do ar. Isso mostra a contradição do mundo moderno, onde todos estão corrompidos, mas a avó tem que ser símbolo de preservação moral.
A verdade é que a sociedade contemporânea está cada vez mais padronizada e aceitar o inesperado definitivamente não faz parte do seu universo de aceitação. O objetivo da publicidade, implantando a criatividade é surpreender. No entanto, é impossível, em uma sociedade que se revolta ao deparar-se com a quebra do paradigma. Dessa forma, seremos reféns da hipocrisia da sociedade, que não aceita o diferente, o criativo, impossibilitando o progresso da humanidade.
Na década de 90, tivemos a propaganda da Sukita, nos mesmos moldes das sandálias Havaianas. Porém, quem falava de sexo era um homem. A publicidade fez muito sucesso e surgiram até mesmo várias versões. Isso nos mostra que as conquistas femininas são ilusórias; afinal, ainda vivemos em uma sociedade machista com reflexos da sociedade patriarcal. Na mentalidade do corporativismo masculino, as mulheres ainda têm traços das atenienses.
Assim sendo, é notório que a mentalidade das pessoas não acompanhou o progresso. A humanidade não tem liberdade de expressão; somos servos de um pensamento padronizado. Devemos aplaudir a criatividade, interagir com o diferente, lutar pela igualdade dos sexos. Só assim, poderemos consolidar o verdadeiro progresso.