Oficina Literária Puntel
25.12.2009
MINISSAIA VS CINTO DE CASTIDADE - TEMA: Cinto de Castidade

 

Recado do professor Puntel: Bruna, durante o ano todo você foi uma redatora produtiva, acima da média, com argumentos sólidos. Tanto isso é verdade que hoje é 25 de dezembro, Natal, e você já sabe que passou para a segunda fase da Unicamp. Uebaaaa! Isso nós da Oficina sabíamos que iria acontecer, bonitinha! É só contar as redações que foram postadas aqui no site para se ter uma ideia do seu desempenho, viu? Beijão nosso!

   

O século XX presenciou inúmeras mudanças em relação à posição da mulher na sociedade: de donas de casa exclusivas, dominaram o mercado de trabalho; de componente popular anônimo, passaram a expressivo contingente eleitoral; conquistaram uma tímida legislação que zele pela sua integridade e proteção, incorporaram a minissaia ao guarda-roupa. Porém, o machismo medieval manteve-se forte na contemporaneidade, tornando-se onipresente ainda na sociedade pós-moderna do século XXI.

Fato é que, apesar de dominarem o mercado de trabalho, não raro, as mulheres são desvalorizadas salarialmente. Mesmo constituindo um grupo eleitoral expressivo, mulheres ainda sofrem abusos e maus tratos e são penalizadas, pois esbarram no corporativismo masculino, comum no judicionário e legislativo. Não obstante, lançamentos comercializados como lingeries com GPS ou a réplica dos cintos de castidade medievais, levam a crer que a mulher partilha, na mesma gaveta entre minissaias e objetos que a castram. 

A sociedade pós-moderna tem, impregnada em si, valores machistas que valorizam a mulher casta: a propaganda midiática, não raro, coloca a mulher em posição de objeto; as religiões, os hábitos sociais, colaboram com a reificação feminina ao transmitirem valores castradores. Haja vista o caso da estudante da Uniban, linchada em uma universidade, ambiente construtor de novos conhecimentos e valores, apenas ao comprimento de seu vestido. Achariam melhor seus colegas o uso de um cinto de castidade?

É imprescindível, para combater estes valores arcaicos, citar o dramaturgo alemão Brecht, e nunca perder o poder de indignar-se, para que essas atitudes não perpetuem na sociedade. Sociedade esta que deve ser reeducada, para assim, desprender-se de seus valores medievais.

O século XXI mantém o machismo, engendrado na Idade Média, impregnado em sua estrutura. A mulher deve combatê-lo, indignar-se, reescrever os valores da sociedade, para que não seja mais obrigada a usar cintos de castidade.

Bruna Bighetti-medicina Ufscar-2010

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