Oficina Literária Puntel
25.12.2009
SE CLARICE VIVESSE - Tema: Unicamp/2005 Rádio

Recado do professor Puntel: Felipe, suas argumentações a respeito do tema da Unicamp 2005 foram compatíveis com o que a banca examinadora certamente esperava nas redações daquele ano. Daí estar no site da Oficina. Parabéns, garoto!

 

Em 1922, ocorre o primeiro contato do público brasileiro com o rádio por meio do pronunciamento do então presidente da República, Epitácio Pessoa. Treze anos depois, criou-se, no governo varguista, o programa radiofônico, “A Hora do Brasil”, afim de engrandecer as realizações estatais. Hoje, mesmo com os consideráveis avanços – propiciados pelo advento da televisão e da internet – no tabuleiro da comunicação, o rádio constitui importante veículo de difusão ideológica. Do que deriva, afinal, a força que o mantém indispensável?

O rádio, de fato, traz consigo renomados destaques nos diversos campos sociais. Na literatura, por exemplo, Clarice Lispector integra o “rádio-relógio” à personalidade da nordestina Macabea em “A Hora da Estrela”. Também no âmbito literário, o dramaturgo Bertold Brecht, em seu poema “Ao pequeno aparelho de rádio”, vale-se de um eu-lírico encantado por possuir o objeto comunicativo como companheiro de seus diálogos e elemento com o qual compartilha emoções.

A permanência do rádio na mídia, talvez, possa ser explicada por sua grande interação com os demais recursos tecnológicos. Prova disso, consiste em sua parceria com a internet ou com a própria televisão, com o objetivo de difundir informações a uma população inacessível aos aparelhos mais sofisticados.

Em virtude dos valores adotados na contemporaneidade, verifica-se acentuada notoriedade da influência exercida pelo rádio. Diante de um meio tão imediatista como atual, reflexo de uma globalização ascendente, que prega o “aniquilamento do espaço pelo tempo”, possuir instrumento informacional, como o rádio, contribui sem dúvida, para a rapidez de obtenção das notícias. Desse modo, a elevada capacidade do rádio de interagir estabelecimentos longínquos, torna-o veículo pertinente para a plataforma global.

Se Clarice vivesse, ela retificaria que um dos elementos de maior destaque em “A Hora da Estrela” ainda se manifesta de forma concreta no mundo. Mais do que companhia para sua protagonista, veria a atuação do rádio como um dos coordenadores do fluxo de informações que vão ao ar, antes e depois do acesso de Macabea.

 

Felipe M Del Lama- APROVADO-Agron.USP 2010

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