Oficina Literária Puntel
24.12.2009
POR UMA ABORDAGEM MAIS SINCERA - Tema: O Amor na lírica viniciana

 

Recado do professor Puntel: Ah, o amor! Ah, este sentimento que, quando vem, nos arrebata, nos bota de quatro no ato, como dizia a doce Rita Lee! Ah, o Amor trator! Ah, o amor Dolor! Mas ah, o Amor louvor! Ah, o Amor calor!

Nic, ficou muito dez sua dissertação a respeito, viu? Você amarra o Vinicius e o Romano como ninguém! Valeu, lindinha!

 

 

Aristófanes, no diálogo O Banquete, de Platão, apresenta o mito da unidade originária, por meio do qual é sugerida a gênese do amor. Trata-se, sumariamente, da busca terrena pela reconstituição da totalidade anteriormente cingida, o que pressupõe, portanto, a incompletude humana e o desejo da fusão definitiva e tenaz a uma figura complementar.

Tal concepção tem, há séculos, influenciado a atividade da indústria cultural ocidental, de modo que é claramente evidenciada nas produções cinematográficas, televisivas e musicais. O impasse, entretanto, reside na agressividade em como tal modelo é imposto pelos veículos de comunicação, bem como na tentativa de racionalização do amor. Esta, por sua vez, dá-se através de instituições que se propõem eternas quando, na verdade, trata-se de algo transitório e finito.

Finalmente, a contestação a esse paradigma surge nas obras de poetas como Vinicius de Moraes e Affonso Romano de Sant´Anna. Esses, dentre outros, buscam a redefinição do conceito de amor, considerando as vantagens e desvantagens do autêntico relacionamento amoroso, sua efemeridade e inerentes desilusões.

Vinicius, em sua lírica, presenteia-nos com uma abordagem sincera do amor. Para tanto, baseia-se na temática camoniana da inquietude e antiteticidade desta dor que desatina sem doer. Em seus diversos sonetos, o eu-lírico viniciano se propõe a gozá-lo com intensidade sem, entretanto, negar sua perecibilidade.

Já Romano apresenta, no poema “Separação”, a questão da desmontabilidade do amor e a dolorosa experiência da partida. Entretanto, traça um contraponto entre o amor fragmentado, em ruínas, que advém do processo de separação e a satisfação proveniente dos anos vividos pelo casal, momentos plenos, impregnados nas paredes e lençóis. Dessa forma, ganha espaço também o debate sobre a quebra do contrato matrimonial, tabu ainda entremeado na sociedade contemporânea.

Torna-se necessário, portanto, na sociedade moderna, a quebra de paradigmas, concernente ao relacionamento amoroso. À medida em que aceitamos o amor sob seu viés transitório e efêmero, melhor poderemos lográ-lo devidamente, vivendo eternamente cada momento.

Nicole P. Marziale- direito UNESP 2010

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