Recado do professor Puntel: Discussão muito bem elaborada, Paula, a respeito da propaganda da vovó das Havaianas. Que absurdo, não? O Tio Sukita pode; a vovó, não! Beijos, bonitinha!
Embora a sociedade se diga moderna e evoluída, ela é, por essência, arcaica e preconceituosa. Uma das últimas propagandas veiculadas na TV pela marca Havaianas foi algo de muitas críticas, somente pelo fato de uma avó dizer a sua neta que o galã é um bom partido para sexo e não para casamento. Perante isso, onde está a mentalidade aberta que dizem ter?
Dessa forma, a sociedade se contradiz. Como forma de explicação, muitos alegaram ser desconfortante assistir tal propaganda em momentos familiares e temem que os adolescentes e as crianças sejam influenciados por ela. Contudo, essa justificativa somente camufla a situação do mundo contemporâneo. Cada vez mais essas discussões sobre a sexualidade são comuns e inegavelmente essenciais na formação pessoal.
Por outro lado, é possível até mesmo visualizar neste contexto o preconceito, o machismo. Prova-se isso com o exemplo da propaganda de uma marca de refrigerante veiculada em 1999, na qual o “tio Sukita” paquera sua vizinha adolescente. Apesar das intenções do homem com a menina não estarem explícitas, entende-se que eram de caráter sexual. Porém, os críticos não se posicionaram majoritariamente contra a propaganda.
Por essência, a sociedade se mostra preconceituosa com as mulheres, fato este marcado na existência das delegacias da mulher. Mostra-se, assim, que ela necessita de amparo, ao contrário dos homens, que não possuem um órgão policial de apoio. Todavia, existe um espírito feminista emergente, que foi lembrado na obra de Machado de Assis, Dom Casmurro. Nela, a personagem Capitu é uma mulher que se faz submissa para conquistar seu marido, Bentinho, com os seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, ou seja, seu poder de sedução e controle.
Em suma, os brasileiros foram hipócritas ao subentenderem que uma simples propaganda influenciaria os jovens à prática dos sexos – o cotidiano propicia incentivos mais motivadores, como a exposição excessiva do corpo. Enfim, a sociedade está impregnada de falso moralismo, machismo e repulsa, camuflados pela modernidade. Enquanto os contemporâneos não rejeitarem certos preconceitos arcaicos, a sociedade estará estagnada para novidades bruscas.