Oficina Literária Puntel
22.12.2009
AUTOESTIMA - Tema: Medo

Recado do professor Puntel: Felipe, parabéns pela discussão a respeito do medo, tema tão urgente! E urgente porque ele está em nós, embora ninguém tenha, como diz Riobaldo, o direito de meter medo na gente. Abração, bonitinho!

 

O medo é um sentimento que adquiriu diferentes dimensões a partir do contexto em que esteve presente. Se na Antiguidade o pavor era desencadeado pela invasão de impérios inimigos, na Idade Média, o receio era desrespeitar os dogmas católicos, de modo a enfrentar a temida Inquisição. Hoje, a morte, o contágio de doenças, a violência nos centros urbanos são alguns dos responsáveis pelo medo. Como, afinal, a ciência explica os diversos comportamentos do indivíduo diante das ameaças que o afligem?

São, de fato, variados os fatores que explicam as origens do medo no ser humano. Impacto negativo em aspectos importantes da vida, como a perda de familiares ou amigos, acidentes, fracassos em situações de grande expectativa. Cita-se ainda, de acordo com especialista Tito Paes – autor de “Sem medo de ter medo” – a obrigatoriedade de se entender à “ditadura do perfeccionismo”, criado pela sociedade capitalista. Nesse quesito, o objetivo de satisfazer ao outro pode causar subordinação, à medida que o indivíduo coloca-se em situação inferior. Cria-se, assim, o chamado “medo imposto”, pois a manifestação do sentimento deixa de ser algo inerente; passa a ser desencadeado por um agente externo, que, cada vez mais, oprime.  

Consequentemente, estabelecem-se prejuízos à vida profissional, visto que o cidadão, eventualmente, apresenta dificuldades de compartilhar opiniões, tarefas, de questionar decisões dos superiores. Afetam-se, de maneira geral, os relacionamentos cotidianos, porque o indivíduo, em virtude de sua insegurança, omite-se de situações que exigiriam iniciativas.

Apesar de o medo causar desconforto emocional, instabilidade psicológica, enfrentá-lo pode ser positivo, a fim de se superarem os traumas e a diversidade, fato que permite resgatar a confiança e desenvolve a própria autoestima. Ressalta-se, porém, que essa superação é complexa, tendo-se em vista que o mundo constitui elemento intrínseco aos homens e, por compor suas personalidades, nem sempre é possível domá-lo.

Destarte, a solução consiste em tratamentos médicos e acompanhamento especializado, que realmente proporcionem ousadia e iniciativa para se combater o próprio medo. Quando o pavor for generalizado, como no caso da violência, esperam-se intervenções concretas de governantes, de modo que o combate ao terror não seja apenas um pretexto para campanhas eleitorais. Desejamos, enfim, que a agonia do medo não nos retire a felicidade de viver.

 

 

 

Felipe M Del Lama- ADM/USP 2010

2010 - Oficina Literária Puntel. Todos os direitos reservados.
Digitale | agência digital